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Hino do Acólito
Hino do Acólito - Partitura (coral)

Homilia do Sr. Bispo D. Joaquim Mendes no XXXII EMA
1. O vosso encontro tem lugar no dia em que a Igreja celebra a festa de S.
Marcos Evangelista.
Chamava-se João Marcos. Residia em Jerusalém. A sua casa estava à disposição
da primeira comunidade cristã de Jerusalém. Quando o apóstolo S. Pedro foi libertado do cárcere, encontrou a comunidade cristã
reunida na casa de Marcos.
Marcos foi uma pessoa implicada na vida da primeira comunidade. Encontrámo-lo
ao lado de Paulo, de Pedro e de Barnabé.
S. Marcos deixou-nos o Evangelho que nos acompanha ao longo deste Ano Litúrgico,
o Ano B e que dos quatro Evangelhos, é o mais breve e muitos consideraram-no o mais antigo.
Tem como fonte a pregação do apóstolo S. Pedro, que S. Marcos acompanhou. S.
Pedro, no texto da sua carta que escutamos, chama- lhe carinhosamente «meu filho». Podemos dizer que S. Marcos é filho espiritual
de S. Pedro.
2. A liturgia escolheu para a festa de S. Marcos, a passagem final do seu Evangelho,
em que ele narra a última aparição de Jesus Ressuscitado e o mandato missionário: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho
a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo".
E Jesus refere, em seguida, os milagres que os Apóstolos realizarão em seu
nome.
Os Apóstolos obedeceram ao mandato de Jesus e "partiram a pregar por toda a
parte e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam".
3. A missão que Jesus confiou aos Apóstolos chegou aos quatro cantos da terra.
É admirável como de um pequeno núcleo constituído pelos apóstolos e pelos discípulos, o Evangelho se espalhou rapidamente,
cresceu de modo significativo o número daqueles que aderiram a Jesus pela fé e pelo Baptismo, e a Igreja foi-se estabelecendo
rapidamente quase em todo o mundo.
A missão que Jesus confiou aos Apóstolos continua hoje e continuará ate a última
vinda de Jesus, na Igreja.
Dela todos somos corresponsáveis. Cada cristão em virtude do Baptismo e do
Crisma foi ungido como Jesus pelo Espirito Santo e como Jesus pode e deve dizer: 0 Espirito do Senhor está sobre mim. O Espirito
do Senhor me envia a anunciar a Boa Nova, a libertar, a curar, a confortar em seu nome, a ser sinal e portador do seu amor.
Apesar de a Boa Nova de Jesus se ter espalhado rapidamente, ainda há muitos
que não a conhecem e não conhecem Jesus, ou dele têm uma ideia errada.
São muitos os que não mostram interesse em conhecê-lo. São muitos os que receberam
o Baptismo, mas não se assumem como discípulos de Jesus, não vivem segundo o Evangelho.
Por isso, Jesus precisa de discípulos que o conheçam, tenham experimentado
a alegria de estar com ele, tenham partilhado da sua intimidade, para lhes poder confiar o seu Evangelho. Porque Jesus só
confia o seu Evangelho a quem lhe tenha dado a sua própria vida. Só quem tiver sido discípulo, é que pode ser apóstolo.
4. Como acólitos fostes chamados, antes de mais a estar com Jesus. Um acólito
é um amigo íntimo de Jesus, seu discípulo, e da experiência de estar com ele, deve tornar-se apóstolo.
Sois chamados, antes de mais a estar com Jesus, cultivar a intimidade com
ele mediante a escuta da Palavra, a oração e a adoração eucarística. Contribuir para que a liturgia seja bela e nela transpareça
o mistério de Deus. Esta é uma bela missão que faz de vós apóstolos.
Procurai realizá-la com fé, com dignidade, com nobreza, com alegria.
Recordai-vos que tendes diante de vós os olhos da comunidade cristã, que ao mesmo tempo que vos admira e se alegra pela vossa
presença, ao mesmo tempo espera de vós um testemunho digno, que edifique a Igreja e seja de estímulo para todos.
5. Mas a vossa missão ultrapassa as fronteiras da comunidade cristã. Deve
estender-se ao mundo da vossa família, da escola, do grupo de amigos.
Sois portadores de um grande tesouro que não podeis guardar só para vós:
o tesouro da fé em Jesus. Um dom que deve ser partilhado. A fé cresce, na medida em que se dá, se vive, se comunica. Sois
portadores da alegria e da esperança que brotam da relação com Jesus, da amizade com ele.
Sois membros da comunidade dos seus discípulos, daqueles que compartilham com
ele a vida e a missão, membros da Igreja, família de Deus. Tendes portando uma identidade, que faz com que sejais «sal» que
dá sabor e «luz» que ilumina.
O cristão torna saborosa a vida, porque em Jesus encontrou o seu verdadeiro
sentido. Em Jesus o cristão aprendeu a amar, a ser delicado, bondoso, compassivo, tornando-se uma presença agradável.
O cristão ilumina, porque é habitado pelo Espírito Santo que é luz e ajuda
a fazer escolhas certas, coerentes com a própria dignidade cristã, tornando-se exemplo para os outros.
Aceitai este desafio que o Senhor vos faz de serdes suas testemunhas, sinais
e portadores do seu amor, discípulos que o seguem e apóstolos que o anunciam.
Não tenhais medo das «bocas», da «troça». Não vos deixeis intimidar. Segui
o conselho que S. Pedro dá na primeira leitura: sede humildes, confiai no Senhor que vela por vás, vos ama e vos tem como
amigos a quem confia os seus segredos.
"Confiai-lhe as vossas preocupações, porque ele vela por vós". Sede sempre
dignos do seu amor e da sua confiança.
A Igreja admira-vos, estima-vos e sente
muito contente por poder contar convosco para realizar a missão que Jesus lhe confiou.
† Joaquim
Mendes
Bispo Auxiliar de Lisboa

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| Diácono Cerveira - Dá-lhe, Senhor, o eterno descanso, entre o esplendor da luz perpétua. |

ACOLITADO, UM SERVIÇO QUERIDO PELA IGREJA
O ministério de acólito remonta aos primórdios da Igreja. Uma carta do Papa S. Cornélio a Fábio de Antioquia, escrita
no ano 251, testemunha que, em Roma, nessa altura, o Papa tinha reunidos à sua volta 46 presbíteros, 7 diáconos,
7 subdiáconos, 42 acólitos e 52 exorcistas, leitores e porteiros.
Uma outra carta, do final do século IV, do Papa S. Siríaco a Himerode Tarragona, dá-nos conta do acolitado como um serviço generalizado
nas comunidades cristãs. Ao longo dos séculos, nas
catedrais, à volta do bispo, ou nas comunidades que iam surgindo, jamais se extinguiu este ministério exercido por
gerações e gerações de rapazes. Neste Manual não há
lugar para a investigação histórica. Fiquemo-nos por algumas afirmações dos últimos Papas que manifestam, sobejamente,
não apenas o carinho da Igreja pelos acólitos, mas também a responsabilidade de quem é chamado a exercer esse serviço.
1.1. PAPA PIO XII «Para conseguir este resultado (a
celebração do culto em estreita união com a assembleia do povo) será certamente vantajoso escolher entre as diferentes
classes de fiéis, rapazes bons e bem instruídos, que, com desinteresse e boa vontade, sirvam devota e assiduamente ao altar:
missão que deve ser tida na maior consideração pelos pais, ainda que sejam de elevada posição social e cultura. Se estes
jovens forem instruídos com o necessário cuidado e sob a orientação de um sacerdote para cumprirem este seu ofício
com constância e reverência e às horas marcadas, não será difícil nascerem entre eles novas vocações sacerdotais;
e o clero não terá de lamentar-se, como muitas vezes sucede, e às vezes, em regiões catolicíssimas, de não encontrar
ninguém que, na celebração do Santo Sacrifício, lhe responda e ajude.» Encíclica
«Mediator Dei», 1947
1.2. PAPA JOÃO XXIll «(. . .) O nosso ânimo enche-se
de júbilo ao ver que não são apenas os pequeninos que formam coroa em torno do altar, mas também os adolescentes e os
jovens, cada vez mais numerosos e sempre perseverantes neste santo serviço.
Não vos contenteis apenas em desempenhar ordenadamente o serviço das cerimónias (...); sede preciosos colaboradores na
obra de difusão e educação do espírito litúrgico; sede, na vossa paróquia, a primeira escola de perfeita educação
religiosa e cívica. (...) O que é que a Igreja espera
de vós? Dilectos filhos, antes de mais nada, ela confia que vós sabereis fazer do vosso serviço litúrgico um aposto
lado de oração e de exemplo (...). No íntimo contacto com Jesus, Palavra vivificante e Alimento substancial, firma-se
a vossa fé, eleva-se a fé a suaves certezas, torna-se mais ardente a caridade. (...) E vós, entre os primeiros, estareis
ao lado dos sacerdotes com o vosso exemplo e oração.
A alegria, experimentada no início deste encontro, transforma-se agora em gratidão para o Senhor por nos ter proporcionado
contemplar este espectáculo duma juventude rica de fé nos valores sobrenaturais.» Discurso
numa concentração de Acólitos em Roma, Julho de 1962
1.3. PAPA PAULO VI
«Maravilhoso! Constituís a melhor consolação que pode receber o nosso coração de Bispo de Roma: demonstrais pela vossa
presença, a vitalidade religiosa e pastoral das vossas paróquias e comunidades, uma vitalidade que tem a frescura
dum campo de primavera, vitalidade de eleição, como a de um jardim florido, vitalidade inteligente e diligente tecida
por sábia e paciente solicitude. (...) Dizei-Ihes (aos
pais, párocos, sacerdotes assistentes, aos dirigentes e delegados da juventude católica) que os acólitos agradam
muito ao Papa e que ele recomenda a todos que vos estimem! E bastará que leveis esta mensagem do Papa a vosso favor,
(...) para que todos tomem imediatamente consciência da importância do acolitado.
Sem vós que faria a Santa Igreja para se apresentar com dignidade?
Vós o sentis, pois tendes o desejo de exercer esses cargos de confiança nas cerimónias, muitas vezes até os disputais,
procurando precisamente chegar antes dos outros e conseguir qualquer serviço importante ou delicado para cumprir.
Assim, tendes consciência de serdes úteis em qualquer coisa de sério e de sagrado e é bem que assim seja. Honrais
a Deus. (. . .) Não queremos formar rapazes indolentes,
nem escrupulosos, não queremos assistir a uma procissão de sacristães emproados, não queremos subtrair às vocações
fortes e irradiantes da vida natural, familiar e social uma falange de rapazes indolentes e moles para os moldar
em concepções artificiais ou falsas do bem ou expô-Ios a reacções de rebelião moral e de náusea espiritual. Pelo contrário, ajudamos
pela luz da fé e o socorro da oração, o adolescente e o jovem a abrir os olhos, a ter um olhar claro e puro do mundo,
do vasto mundo onde o cristão tem de viver. Levamo-lo a pôr-se em contacto com a arte, com as mais requintadas formas
de beleza espiritual, levando-o às decisões fortes da sinceridade moral; levamos o rapaz a empregar e a empenhar
a sua vida ao serviço pessoal e activo dos mais altos valores e ideais.»
Discurso numa concentração de Acólitos em Roma, Abril de 1964
1.4. PAPA JOÃO PAULO II
«Primeiro que tudo, vejo em vós rapazes cheios de vida e entusiasmo.
Esperais tudo do futuro. Faz parte da natureza da vossa idade projectar-se para a frente com todas as forças, de tal
modo que sois a esperança, a reserva, quero dizer, a certeza de uma sociedade humana mais justa e melhor.
(...) Embora vejais à vossa volta muitas coisas que não estão certas, deveis considerar todas essas realidades como outros
tantos motivos para vos comprometerdes mais ainda a construirdes com as vossas próprias mãos e com o vosso coração,
um mundo novo, em que seja verdadeiramente possível viver em serenidade, segurança e completa confiança mútua.
(. . .) Prestando o vosso serviço à Mesa da Eucaristia e nas várias celebrações litúrgicas, hauris directamente das fontes
de salvação, o vigor necessário para viverdes bem hoje e também para enfrentar com mais entusiasmo o vosso futuro.
Certamente, muitos de vós, se não mesmo todos, já se interrogaram sobre o próprio amanhã, sobre o que farão em adultos.
Pois bem, estou convencido que não poucos de vós consideram mesmo a hipótese de servir a Deus como sacerdotes, isto
é, como anunciadores do Evangelho a quem o não conhece, e como Pastores amorosamente disponíveis para ajudar outros cristãos
a viverem em profundidade a sua fé e a sua união com o Senhor. Por conseguinte, digo a todos aqueles que já sentiram
tal chamamento no seu coração: cultivai esta semente, confiai-vos a alguém que vos possa orientar e, sobretudo,
sede generosos. A Igreja tem necessidade de vós, o próprio Senhor precisa de vós, como quando se serviu dos poucos
pães de um rapazinho para saciar uma multidão de pessoas.»

Ministrante do
Altar (Acólito não instituído)
A palavra acólito vem do verbo acolitar, que significa acompanhar no caminho. Dado
que se pode acompanhar alguém indo à frente, ao lado ou atrás de outras pessoas, acólito é aquele ou aquela que, na celebração da liturgia, precede, vai ao lado ou segue outras pessoas,
para as servir e ajudar.
Quem é
que o acólito acompanha e serve? Em primeiro lugar acompanha e serve o presidente da celebração da missa, que tanto pode ser
o bispo como o presbítero; em segundo lugar acompanha e serve o diácono, o ministro extraordinário da comunhão, ou outras
pessoas que precisam de ser ajudadas durante a celebração. Noutras celebrações, acompanha e serve as pessoas responsáveis
por essas mesmas celebrações.
Podemos
então dizer que o acólito, desde o princípio até ao fim da missa, acompanha, ajuda e serve o próprio Jesus. Ele não o vê com
os seus olhos; mas a fé ensina-o. Um verdadeiro acólito vai descobrindo isto cada vez mais. Se um acólito não o descobre,
corre o risco de se cansar de ser acólito. Mas se o descobre e acredita nisso, então vai desejar sempre ser escolhido para
acólito, em cada domingo.
Quem pode
ser acólito?
Para explicar
muito bem este assunto tenho de dizer várias coisas. A primeira é esta: há acólitos instituídos e acólitos não
instituídos.
a)
Acólitos instituídos
Chamam-se
acólitos instituídos, aqueles que o bispo duma diocese chamou e fez acólitos. Este chamamento e esta instituição
pelo bispo querem dizer que um acólito instituído é convidado a participar muito empenhadamente na celebração da Eucaristia,
que é o coração da Igreja, e que o deve fazer sempre que esteja presente e for convidado a fazê-lo pelo responsável da celebração.
Também
quer dizer que, dentro da mesma diocese, o acólito instituído pode ser chamado a realizar o seu serviço em qualquer paróquia,
desde que o pároco o convide ou lho peça, uma vez que o bispo que o chamou é o bispo de todas as paróquias dessa diocese.
Quem é
que pode ser acólito instituído? Só os rapazes que se preparam para isso durante bastante tempo. É o que acontece com os seminaristas,
embora também possam ser chamados outros rapazes ou homens que não sejam seminaristas. Este pormenor quer dizer que, um dia,
se esse rapaz ou homem vier a ser ordenado padre, deve não só servir bem, como bom acólito que foi, mas também ensinar os
mais novos da paróquia onde estiver, a serem bons servidores, ou seja, óptimos acólitos, como o vosso pároco está agora a
fazer convosco.
b)
Acólitos não instituídos
Os acólitos
não instituídos são em muito maior número do que os instituídos. São aqueles que nós conhecemos melhor, porque os vemos
todos os domingos a servir na missa, nas nossas paróquias. Eles podem ser rapazes ou raparigas. Quem os chama para serem acólitos
é o pároco de cada paróquia e não o bispo da diocese. Esse chamamento é precedido duma preparação. O Curso para Acólitos
de que esta lição faz parte, tem por fim ajudar a fazer essa preparação.
Juntamente
com o Curso é muito importante praticar o serviço de acólito, procurando fazê-lo cada domingo com maior perfeição
e atenção, mas sobretudo com muito espírito de fé. Podemos dizer que Jesus foi o primeiro de todos os acólitos, pois disse
um dia estas palavras: Eu estou no meio de vós como quem serve. Ora, o acólito, quer seja instituído quer seja não
instituído, é e deve ser cada vez mais um rapaz ou uma rapariga que gostam de servir a Deus e aos seus irmãos na vida, a começar
pelos que moram em sua casa e com os que com eles convivem mais de perto, e também na liturgia.

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